O Cordeiro, de Christopher Moore

Vamos lá tornar isso aqui aparentemente útil. =)

Fazem uns meses já que tinha lido uma resenha no blog Dois Espressos sobre um livro chamado O Cordeiro, de Christopher Moore. Ok, admito que quando li o nome do livro já ia passando direto para o outro post, mas aí vi a seguinte capa:

O Cordeiro, Christopher Moore

Estranha, não? Pois bem, resolvi ignorar o princípio básico do "não julgue o livro pela capa" e comecei a ler a tal resenha que explicava que o livro era a história desconhecida da infância de Jesus Cristo, segundo seu melhor amigo, Levi, chamado carinhosamente de Biff. Na hora pensei "como assim"? XD

Além da história em questão o livro conta com as seguintes informações:

  • O que fazer se o rosto do seu filho aparecer de repente em todos os pães da cidade;
  • A forma ideal de se escolher uma meretriz;
  • Como o sarcasmo foi inventado (exatamente, o sarcasmo haha);
  • A história da luta marcial especificamente desenvolvida para os meninos de Nazaré (também conhecida como Judou);
  • O que dizia o esboço do Sermão da Montanha;
  • Como reconhecer quando a imagem da Virgem Maria é uma visão autêntica… e quando é apenas um montinho de cocô de elefante.

Segue um trecho do livro retirado descaradamente do Dois Espressos:

O Anjo Raziel saiu de trás da árvore.
— O anjo do Senhor — falei por entre os dentes para Josué.
— Eu sei — disse ele, de um jeito como “se você já viu um, então viu todos”.
— Ele não pode fazer nada — repetiu o anjo.
— Por que não? — perguntei.
— Porque ele talvez não venha a conhecer mulher alguma.
— Talvez não? — falou Josué, parecendo nada satisfeito.
— Com talvez não você quer dizer que ele não deveria, ou que não pode? — perguntei.
O anjo coçou a cabeça dourada.
— Esqueci de perguntar.
— É meio que importante — observei.
— Bem, ele não pode fazer nada a respeito de Maria Madalena, isso eu sei. Eles me mandaram aqui para avisá-lo. Isso e que também está na hora de Ele partir.
— Partir pra onde?
— Esqueci de perguntar.
Acho que deveria ter ficado assustado, mas ao que parece  eu passei do medo à exasperação. Aproximei-me do anjo e cutuquei seu peito.
— Você é o mesmo anjo que veio até a gente antes para nos anunciar a vinda do Salvador?
— Era a vontade do Senhor que eu viesse lhes trazer essa mensagem de júbilo.
— Só estava pensando, pro caso de todos vocês, anjos, serem parecidos ou algo do tipo. Mesmo assim, depois de você aparece dez anos atrasado, eles te mandaram com outra mensagem?
— Estou aqui para falar com o Salvador que está na hora de Ele partir.
— Mas você não sabe pra onde?
— Não.
— E essa luz dourada à sua volta, essa luz, que negócio é esse?
— A glória do Senhor.
— Tem certeza que não é estupidez que está vazando pelos poros?
— Biff, seja bonzinho, ele é um mensageiro do Senhor.
— Bem, que diabos, Josué, ele não serve pra nada. Se a gente vai continuar a receber visitas de anjos, eles pelo menos deviam saber o que estão fazendo. Derrubar paredes ou algo parecido, destruir cidades, ah, não sei… entregar a mensagem completa.
— Desculpa — pediu o anjo. — Você gostaria que eu destruísse uma cidade?
— Descubra para onde Josué tem que ir, que tal isso?
— Isso eu posso fazer.
— Então faz.
— Já volto.
— A gente espera.
— Boa sorte — falou Josué.
Um segundo depois o anjo sumiu atrás de outra árvore e o brilho dourado desapareceu do bosque das oliveiras, levado por uma brisa morna.
— Você foi meio duro com ele — observou Josué.
— Josué, nem sempre dá pra conseguir que o trabalho seja feito sendo bonzinho.
— A gente tenta.
— Moisés foi bonzinho com o faraó?
Antes de Josué poder responder, a brisa morna começou a soprar novamente no bosque das oliveiras e o anjo saiu de trás de outra árvore.
— Você precisa patir para descobrir seu destino — disse ele.
— O quê? — perguntei.
— O quê? — perguntou Josué.
— Você deve sair em busca do seu destino.
— Isso é tudo? — quis saber Josué.
— É.
— E aquele negócio de “conhecer uma mulher”? — perguntei.
— Preciso ir.
— Agarre-o,  Josué. Você segura que eu meto a porrada.
O anjo, porém, desapareceu com a brisa.

Você pode ler a resenha completa do blog Dois Espressos e também pode conferir outras opiniões interessantes no Mente Aberta e Pequenos Fragmentos de Luz.

Heresia? Não. Blasfêmia? Só um pouquinho =) A leitura vale muito a pena no final das contas.

Sábio Voltaire que disse: "Deus é um comediante entretendo uma platéia com medo demais para rir."

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